terça-feira, 14 de julho de 2015

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Uma hora e meia já tinha se passado, e enquanto Leila tava no banho, eu já tava terminando de me maquiar. Coloquei uma calça jeans preta, salto preto e uma blusa dessas t-shirts com palavras engraçadas em inglês. Uma gótica básica.
Abri a minha outra mala. A mala especial onde tinha todas as minhas perucas e um pente especial pra elas. Acho que ao longo dos anos eu devo ter gastado uns 5.000 em perucas. Eu não tenho culpa se só gosto de coisa de qualidade.
Tinham perucas bem variadas ali, como eu já disse antes. Das coloridas, até as mais discretas. Mas como eu cheguei em Berlim de cabelo loiro, tive que manter pra ninguém pensar que eu sou uma maluca de cabelo raspado, ou que eu tenho câncer mesmo.
Leila saiu do banho apenas de toalha. Sério, ela acha supernormal ficar pelada na frente da amiga e passar quase meia hora na frente do espelho d quarto penteando o cabelo. Miga, ninguém gosta de ver a sua ppk depilada não, ok?
- Uau! - Ela se vira pra mim - Acho que um certo Hanz vai ter sorte hoje, hein...
- Vai se fuder. Eu só tô arrumada e confortavel.
- Se eu fosse ele, te levaria pro banheiro e te comeria toda.
- Ok, chega, sem ataque lésbico por favor. Vai se arrumar que falta pouco tempo.
Arrumadas, limpas, e lindas. Sim. Lindas.
Fomos andando até a sala do hostel, e todos estavam nos esperando. Uma galera que eu nunca tinha visto. Um moreno, uma ruiva, um cara de barba, um ruivo, Hanz e Rosa.
- Uau, brasileiras sabem se vestir bem, hein... - Disse Hanz com o poder de me deixar sem graça. Ou ele só estava sendo gentil mesmo.
Fomos até lá fora, pegamos dois taxis (porque só 1 não iria caber nem metade daquele povo todo), e fomos em direção ao bar mexicano.
Chegando lá, era uma atmosfora bem foda, colorida, com aquelas musicas tipicas do méxico e pessoas alegres, dançando. A maioria gringos que não tinham molejo nenhum.
- Bienvenidos! Rosa, trouxe seus amigos? - Dizia um homem meio baixo com um bigode bem "sensual"
- Sim! E dessa vez, duas amigas novas. Do Brasil!
Ele nos abraçou e deu dois beijinhos na bochecha.
- Qualquer amiga de Rosa, é amiga minha! Primeira rodada de tequila por nossa conta!!!
Todos comemoraram, e depois cada um sentou num banco do bar. A maioria se sentou na mesa pra falar a verdade, mas como não sobrava mais lugar. Tive que sentar no bar mesmo.
Rosa me entrega um copo de tequila e eu olho pra ele como se ele fosse um monstro. Nunca tinha colocado um gole sequer de alcool na boca e começar com tequila... É uma coisa e tanto. Enquanto tento criar coragem pra beber aquele copo, olho envolta e já vejo a Leila se engraçando com o ruivo. Sabia que ela não ficaria no zero a zero, principalmente num hostel cheio de gringo.
Enquanto fico pensando naquelas coisas, nem percebo que alguém se senta na minha frente. Putz, o alguém no caso, era é o Hanz...
- Posso me sentar aqui?
- Ah, claro, pode sim - Eu, uma otima pessoa pra se relacionar....
Hanz se senta e pega um copo de tequila no bar.
- E então... Ta gostando?
- Muito. Mesmo ainda não ter dado uma volta pra conhecer mais, eu já tô simplismente amando mais que tudo aqui.
- Fico feliz em saber.
Ficamos 1 minuto sem nos falar. Parecia uma eternidade.
- Você... Você não vai beber seu copo?  - Ele apontava pro mesmo que tava em cima do bar.
- Bem... Eu nunca bebi. É a minha primeira dose de tequila. Tô tentando criari coragem.
Ele ri mostrando aqueles dentes perfeitamente alinhados.
- Eu lembro da primeira vez que eu coloquei um alcool na boca. Eu tnha 15 anos, foi numa festa da escola. Eu quase vomitei.
- Acho que isso não foi muito motivacional - Ri
- Então lá vai uma coisa motivacional: bebe. A primeira vez é meio estranha, mas aposto que até o final da noite vamos estar bebados falando merda. - Rimos juntos.
"Ok", minhas ultimas palavras antes de colocar aquela coisa amarga e ácida guela abaixo. Fiz uma careta tão forte que provocou gargalhada no Hanz.
- Não é tão ruim - Enquanto dizia isso, ele bebe seu copo também.
- Acho que merecemos mais uma dose. Pela sua força de vontade! Eu pago!
E assim foi a nossa noite. Falando merda, "tentando" dançar, quase caindo, e bebendo mais e mais doses de tequila, até quase desmaiar.
- EI, MUCHACHOS! Acho que está na hora de ir embora, han... - Dizia Rosa já impaciente
Nos olhamos por uns segundos, e eu pude ver o quão bonito era o rosto dele. Sem nenhuma malícia dessa vez. Aquele azul com pontinhos castanhos que combinavam com os meus olhos, de uma maneira fofa e estranha. Eu sentia pelo olhar dele, serenidade, calma e coisas boas. Ele era bom.
- Sua bebada, ta na hora da gente ir - Rimos
Ele me abraçou e fomos andando, de forma que um pudesse se escorar no outro evitando que alguém caisse.
Chegamos de volta no hostel, e algumas pessoas já estavam no tapete fumando, o que deixava a casa com um cheiro totalmente esquisito e enjoativo. E quem estava ali junto? Se você disse Leila, você acaba de ganhar.... Nada. Mas acertou.
- Claire, você vai ficar aqui, ou vai dormir? - Hanz me pergunta assim que nos aproximamos do tapete.
~ Vou te beijar ~
- Bem... Eu não sei. O que você vai fazer?
- Eu vou dormir. Se uma tal menina não tivesse feito eu beber tanto - rimos - eu até fumaria um pouco e te ofereceria. Mas, hoje foi o seu primeiro alcóol. Vamos deixar o seu primeiro beck pra outro dia.
- É, eu acho que também vou dormir - Fitava o chão
- Então vou te levar até o seu quarto. Já que também é caminho do meu...
Fomos andando pelo corredor, meio caindo e ao mesmo tempo rindo do nosso jeito meio louco. Até que chegamos na porta do meu quarto.
- Tá entregue.
- Obrigada, a noite foi muito boa.
Ele deposita um beijo na minha bochecha, o que me deixa vermelha.
- Eu até te beijaria agora, mas acho que não seria legal o gosto de tequila.
Rimos de novo, nos despedimos, e eu literalmente cai na cama. Apaguei enquanto a maioria da republica estava acordada fumando, ou transando. Leila já estaria transando nesse ponto.

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