segunda-feira, 13 de julho de 2015

5

Berlim, como esse lugar é bonito. Totalmente diferente da Berlim dos anos 90 no filme Cristiane F, porque era foda pra caralho!
Chegamos depois de meia hora naquele taxi. Hanz, lindo (e tesudo), nos ajudou a pegar nossas malas.
- Bem, tem essa mala pequena aqui. De quem é? - Perguntou o taxista olhando pra ela, que estava no banco do meio de trás.
- É... É minha. Sabe, primeiros socorros.
- Pirmeira vez que tu fazes uma eurotrip né? - Pergunta Hanz com um sorrisinho de lado.
- Sim. Primeira vez que eu viajo pra fora do Brasil.
Pego a minha bolsa, e vamos andando em direção ao hostel.
Ele tinha uma aparencia meio escrota, se for parar pra pensar. Era só uma portinha de madeira velha, com uma placa em neon escrito "Unterkunft". Tinha nome de puteiro cara. Eu já tava me preparando psicologicamente pra usar roupas apertadas e aquelas meia-calças de furinhos... Bem puta.
- É hospedagem em português. - Comentou Hanz que deve ter percebido a minha cara de duvida tentando decifrar aquela palavra meio sei lá.
Ele abriu a porta pra nós, e de cara tinha um corredor meio escuro. Tipo uma casa mal-assombrada misturada com harry potter, sei lá, nunca fui fã deles. Mas eu presumo que devia ser assim. Bem assombroso.
Fomos andando mais ainda, e ai sim, aquilo parecia um hostel de verdade. Uma mesa de sinuca, outra de totó, - não sei como os alemães chamam isso - e um hoquei de mesa. Tinha uma tv normal, mais avançada, e uma outra daquelas mais antigas com videogame. Tava me sentindo bem em casa ali, e todo mundo era jovem. Precia ser bem legal ficar ali.
- Vou mostrar a vocês vossos quartos - Hanz e seu sotaque portuga
Ele nos levou a um quarto, que tinha duas camas DE CASAL! Tipo, serio, eu tava apaixonada pelo hostel. Pelo Hanz.
Depois dele se despidir e deixar nossas coisas ali, Leila fechou a porta. Enfim, cama, troca de roupa, e privacidade.
- Como ele pode ser tão perfeito? Puta que pariu velho. Ele parece um anjo.
- Nossa Claire, não sabia desse teu lado tarada.
- Há - me sentei na cama - Quando você não tem nada pra fazer, descobre coisas na internet que nunca pensou em descobrir...
- Tipo o que? - Perguntou com aquele sorriso malicioso.
- Tipo... Porno, fanfics hots e tudo mais. Bom assim! Porque eu já sei como agir na hora H.
- Na hora H com o Hanz né sua putona - Ela ria alto sem parar
Joguei meu travesseiro nela
- Para porra! Não fala alto, vai que tem mais gente que entende a nossa lingua aqui?
- O Hanz entende muito de lingua... HEHEHEHE
Que vergonha. Tipo, eu queria transar com ele? Talvez. Mas se tem uma pessoa que não se pode falar sobre isso, é a Leila. Mano, ela te zoa pelo resto da sua vida, e ainda faz aquelas chantagens de criança, dizendo que vai contar pro cara e tudo mais. Mas, como ela é a minha unica amiga do outro lado do mundo... Vou ter que conviver com isso.
- Mas... - Ela deitou na cama - Você tem algum plano pra isso?
- Não! Ele vai ser só mais um amor platônico como todos os outros caras.
- MAS NÃO VAI MESMO! Esqueceu o motivo dessa viagem? Você pode se dar ao luxo de ser uma vadia cara. Pensa nisso.
- Verdade, eu tinha me esquecido.
- Então corre atrás do seu amor, donzela!!!!
Mordi meu lábio só de  pensar em chegar perto de um garoto, quanto mais tentar ser uma vadia pra ele. Como eu nunca pude sair nem sequer ir pra um parque desacompanhada dos meus pais, eu não tive muitas experiências amorosas. E as que eu tive, foram resumidas em apenas olhar pros caras, eler fanfics interativas colocando o nome deles.
- Eu... Eu acho que eu não vo conseguir não.  Nem dar selinho eu já dei mano.
- Claire... Se tem uma coisa que você vai amar fazer na vida, é beijar. E se tem uma coisa que você vai amar ainda mais... Essa coisa é dar. Tudo o que você precisa fazer, é chegar e dizer: eu quero sexo. O alemão pode ser fofo, mas aqueles olhos claros não enganam ninguém de que ele tem cara de bom de cama. Pensa assim: um garoto, um destino. Pronto! Simples!
De repente, batem na nossa porta. O assunto é totalmente quebrado e eu vou atende-la.
- Oi! Me chamo Rosa. Vocês são as meninas novas né?
- Sim. Prazer.. Claire. E aquela ali na cama é a Leila.
- Prazer em te conhecer, Rosa - Gritava Leila que estava indispota demais pra se levantar e falar decentemente com a menina.
- Bem, eu presumo que vocês devem estar cansadas e tudo mais. Mas, mais tarde nós vamos sair. Como vocês devem ter percebido o meu sotaque, eu sou mexicana. E aqui tem um bar com as mejores quesadillas de toda a Alemanha.
- Que foda! Claire... Precisamos ir! Vai ter bebida?
- Claro chica, as bebidas mexicanas são as melhores do mundo.
- Que horas mais ou menos? - Perguntei interessada.
- Umas 8 da noite. Da tempo de se arrumarem, ou quem sabe, dar uma volta em Berlim.
- Hã, dar uma volta? Só a Claire demora 2 horas pra se arrumar. Já são 18:30 da tarde, melhor a gente deixar a volta pra amanhã.
Revirei os olhos. Ninguem precisa saber o tempo que eu demoro pra me arrumar.
- Bueno, então, as 8 horas estamos saindo. Tchau.
Fechei a porta.
- Serio Leila? Nem assim eu tenho descanso?
Ela se levanta e vem em direção a mim.
- O plano é esse: você come uns tacos, mas não muito, pra não dar caganeira. Bebe muuuuita tequila, fica bebada, dá em cima do boy, e da pra ele! Viu? Fácil!
- Não é tão facil assim... Eu tenho muita. Muita vergonha.
- Então, toma isso aqui. - Ela me dá uma bala que retirou do bolso da calça - Lembra que eu disse do LSD? Usa quando você sentir que precisa de um empurãozinho a mais. E outra, quando a gente chegar, os casais vão pros seus quartos, e as pessoas legais like me - ela apontou para si mesma - vão fumar a noite toda.
- Eu não vou usar isso.
- Ah você vai sim. E quando usar uma vez, você vai querer usar mais e mais!

Nenhum comentário:

Postar um comentário